Os teatros que existiram em Guimarães até ao Século XX – Parte I

O teatro e a cultura sempre estiveram muito presentes na alma dos vimaranenses mesmo antes de surgirem os espaços para a realização de teatros no século XVII registados nos periódicos da época, em procedimentos administrativos de compra, venda, etc...
As igrejas e a praça da câmara acolheram desde sempre manifestações culturais com a proeminência da música e do teatro.
No entanto o primeiro espaço para a realização de teatro que existiu em Guimarães, sem se saber ao certo a sua localização, foi o dos cómicos ambulantes. As primeiras referências a este teatro são do ano de 1679.
Já mais tarde em 1769 aparece-nos a notícia de um outro “Teatro à Torre dos cães” mais precisamente na Nossa Sra. da Guia, na rua a que chamavam de Trigais, encostado à muralha da vila. Era segundo os registos um barracão onde os estudantes realizavam espectáculos de beneficência.
Curiosamente passados dezoito anos encontramos nova referência nesta rua a um outro teatro, o que nos leva a concluir que ou se remodelou o antigo teatro ou se levantou um novo. O contrato notarial deste novo teatro consta de 15-05-1787.
Contudo simultaneamente a este teatro nascia em 1769 o novo Teatro da Tojeira (ver foto) que ficava na rua D. Henrique nº4 no qual se representavam dramas e tragédias, uma dos grandes êxitos promovidos por este teatro na altura foi a peça “Inês de Castro” que fez furor entre o povo vimaranense.

Já mais tarde em 1819 aparece a Casa da Ópera trabalhando neste espaço várias companhias portuguesas e espanholas e também com a colaboração também de artistas italianos.
Em 1835 no Campo da Feira mais precisamente na antiga Rua das Pretas surge o Teatro de Vila Pouca promovendo vários espectáculos mas sendo incendiado pouco tempo depois…
A 6 de Maio de 1849 surge outro teatro, o teatro S. Francisco com duas peças que tiveram muito sucesso denominadas “O cigano” e “O duelo no Terceiro andar”. Este teatro teve em funcionamento até 1854 e funcionou no extinto convento de S. Francisco.
Logo a seguir surge o Teatro D. Afonso Henriques (ver foto)em 1855 com uma peça de enorme sucesso chamada “Os dois renegados”. A sua inauguração foi marcante pelo concerto de violino tocado por Francisco Sá de Noronha chegando a comparecer à inauguração inúmeras pessoas vindas do Porto.


Neste ano de 1881, a 1 de Maio, é também inaugurado o novo Teatro de Variedades, tendo subido a palco a comédia “O Tio Mateus” e a opereta “O processo de Rasga”.
No ano seguinte, aparece o “Teatro Gil Viicente” (ver foto) e em 1884 surge o “Teatro-Salão Artístico Vimaranense” com a representação da opereta burlesca em 3 atos “Os três casamentos na Aldeia”. Este teatro teve uma grande dinâmica apresentando inúmeras peças de diversas companhias.

Em 1881 é criado o Salão do Campo da Feira que era além de ser um local de espetáculos, é também um centro de divertimentos onde funcionava uma escola de dança e onde se realizavam bailes onde se cobravam 40 réis por entrada.
Em 1900 no periódico da altura “Eco de Guimarães” aparece-nos o seguinte anúncio; “Salão Recreativo Universal – Rua de S. Dâmaso – Todos os dias vistas das mais notáveis cidades e monumentos do mundo – Entrada Geral – 40 réis”.
O Teatro D. Afonso Henriques viria a fechar na primeira metade do século XX

É desta forma que o teatro evolui atá 1900 numa brevíssima História que comprova que o gosto pelas artes por parte dos vimaranenses remonta já a épocas mais longínquas e que está entranhado no nosso espírito.
Paulo Freitas do Amaral – Historiador licenciado e pós-graduado

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