Guimarães raiz da Lusofonia (Crónica - Florentino Cardoso)
Lusofonia é a comunidade formada pelos povos e nações que compartilham a língua e cultura portuguesas como Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Goa, Damão e Diu e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo.
A decisão da UNESCO de atribuir à Língua Portuguesa a data de 5 de Maio como «DIA MUNDIAL DA LUSOFONIA» vem acentuar a crescente importância deste idioma a nível global, sendo falado e escrito em quatro continentes e tendo uma importância crescente nas redes sociais.
Se no dizer de Fernando Pessoa «a minha Pátria é a minha Língua», a cidade de Guimarães deve assumir-se como uma cidade de referência no contexto desta comunidade, que representa um universo de 267 396 837 de falantes, repartidos por 9 países.
Para alguns linguistas o galego falado na Galiza, é apenas um dialecto do português, o que torna o noroeste da Espanha uma parte do mundo lusófono. De facto, existem na Galiza laivos de linguarejar comum que teimam em conservar-se à luz dos nove séculos de história reconhecidos pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
Convém não esquecer que da comunidade lusófona também faz parte a chamada «Diáspora Portuguesa» e que os emigrantes espalhados pelo mundo podem ser, não apenas embaixadores da cultura portuguesa, mas co-protagonistas e co-criadores culturais. Neste contexto, a Língua Portuguesa pode constituir uma oportunidade para aumentar a dimensão e a visibilidade da oferta de Portugal e de Guimarães.
O que se poderá fazer em Guimarães em honra da Língua Portuguesa?
1. FESTIVAL DA LUSOFONIA
A antiga província portuguesa de Macau, hoje "Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China" (RAEM), organiza desde 1998 o chamado «FESTIVAL DA LUSOFONIA», um evento anual que nasceu integrado no programa das actividades comemorativas do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (10 de Junho), que tem como principal objectivo homenagear as comunidades lusófonas residentes em Macau pelo seu contributo para o desenvolvimento do território, mas que actualmente está calendarizado no mês de Outubro e com a duração de quatro dias.
Este festival oferece um programa de actividades muito diversificado nomeadamente uma mostra cultural de cada uma das comunidades lusófonas residentes em Macau, gastronomia típica, espectáculos de música e dança e jogos para o público de todas as idades. As comunidades lusófonas participantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Goa, Damão e Diu, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Macau instalam os seus expositores culturais no local do evento para darem a conhecer a música, dança, turismo, fotografias, artesanato, trajes tradicionais, literatura, petiscos e bebidas típicas dos seus países ou regiões, que, não só, injectam vitalidade ao festival como também permitem aos visitantes conhecer mais a fundo a cultura rica de cada um dos países ou regiões participantes. Durante o festival vários grupos de música e dança provenientes dos 9 países/regiões de língua portuguesa apresentam diferentes géneros musicais e de dança, proporcionando a todos os participantes muita animação e alegria.
Em 2015 aconteceu o 1º Festival da Lusofonia de Lisboa que decorreu de 20 a 25 de Maio, com o propósito de valorizar a multiculturalidade da cidade e que teve como ingredientes gastronomia, arte, música, dança, literatura, exposições, conferências e muito mais dos países de língua portuguesa.
Este Festival, «embrionário» nas palavras de Vítor Ramalho, foi uma organização conjunta da Câmara Municipal de Lisboa, da UCCLA e da Conexão Lusófona e, até ao presente, ainda não conheceu uma segunda edição.
A cidade de Guimarães deveria desenvolver esforços para celebrar com a maior dignidade e solenidade o Dia Mundial da Língua Portuguesa, nos dias 5 de Maio de cada ano, de forma a ganhar visibilidade e prestígio no seio da comunidade lusófona e, bem assim, iniciar um processo de estabelecimento de parcerias com as principais instituições de defesa e promoção da Língua Portuguesa espalhadas pelo mundo, criando com elas uma relação de verdadeira fraternidade e cooperação na defesa e divulgação, não só da Língua, mas também da Cultura Lusa.
Para fortalecer as relações da cidade com o mundo lusófono, Guimarães tem de aproveitar as experiências realizadas noutras cidades, como Macau e Lisboa, e levar a efeito, no palco de excelência que é o seu Centro Histórico, não apenas a comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, mas também outros eventos ligados à Lusofonia, através da participação das associações culturais e das escolas vimaranenses e com o envolvimento das instituições de defesa e promoção da Língua Portuguesa espalhadas pelo mundo.
Este festival oferece um programa de actividades muito diversificado nomeadamente uma mostra cultural de cada uma das comunidades lusófonas residentes em Macau, gastronomia típica, espectáculos de música e dança e jogos para o público de todas as idades. As comunidades lusófonas participantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Goa, Damão e Diu, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Macau instalam os seus expositores culturais no local do evento para darem a conhecer a música, dança, turismo, fotografias, artesanato, trajes tradicionais, literatura, petiscos e bebidas típicas dos seus países ou regiões, que, não só, injectam vitalidade ao festival como também permitem aos visitantes conhecer mais a fundo a cultura rica de cada um dos países ou regiões participantes. Durante o festival vários grupos de música e dança provenientes dos 9 países/regiões de língua portuguesa apresentam diferentes géneros musicais e de dança, proporcionando a todos os participantes muita animação e alegria.
Em 2015 aconteceu o 1º Festival da Lusofonia de Lisboa que decorreu de 20 a 25 de Maio, com o propósito de valorizar a multiculturalidade da cidade e que teve como ingredientes gastronomia, arte, música, dança, literatura, exposições, conferências e muito mais dos países de língua portuguesa.
Este Festival, «embrionário» nas palavras de Vítor Ramalho, foi uma organização conjunta da Câmara Municipal de Lisboa, da UCCLA e da Conexão Lusófona e, até ao presente, ainda não conheceu uma segunda edição.
A cidade de Guimarães deveria desenvolver esforços para celebrar com a maior dignidade e solenidade o Dia Mundial da Língua Portuguesa, nos dias 5 de Maio de cada ano, de forma a ganhar visibilidade e prestígio no seio da comunidade lusófona e, bem assim, iniciar um processo de estabelecimento de parcerias com as principais instituições de defesa e promoção da Língua Portuguesa espalhadas pelo mundo, criando com elas uma relação de verdadeira fraternidade e cooperação na defesa e divulgação, não só da Língua, mas também da Cultura Lusa.
Para fortalecer as relações da cidade com o mundo lusófono, Guimarães tem de aproveitar as experiências realizadas noutras cidades, como Macau e Lisboa, e levar a efeito, no palco de excelência que é o seu Centro Histórico, não apenas a comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, mas também outros eventos ligados à Lusofonia, através da participação das associações culturais e das escolas vimaranenses e com o envolvimento das instituições de defesa e promoção da Língua Portuguesa espalhadas pelo mundo.
2. PLATAFORMA DA LUSOFONIA OU EMBAIXADA CULTURAL LUSÓFONA
A Plataforma das Artes e da Criatividade é um projecto infraestrutural que consistiu na transformação do Antigo Mercado de Guimarães num espaço multifuncional, dedicado à actividade artística, cultural e económico-social. Foi inaugurado no dia 24 de Junho de 2012 e constitui a obra mais emblemática da Capital Europeia da Cultura. Dispõe de 11.000 metros quadrados de área coberta e custou 17,6 milhões de euros.
Aloja uma série de valências e espaços dedicados a três grandes áreas programáticas: o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), os Ateliers Emergentes e os Laboratórios Criativos. A valência mais importante é o CIAJG, que é composto por 13 salas de exposição, uma loja, uma cafetaria, uma sala de conferências com capacidade para 80/pax em plateia e uma «black box» com capacidade para 198/pax. Assume-se como um espaço com variadas possibilidades de utilização, tais como exposições, conferências, reuniões de trabalho, acções de formação, lançamentos de produtos, espectáculos, congressos, etc.
Segundo notícias veiculadas em vários jornais, o anterior Presidente da Câmara, Dr. António Magalhães, no contexto do acto de inauguração referiu que a Plataforma das Artes era «o símbolo do que Guimarães foi, é e quer ser». Procurámos descobrir nas notícias respigadas sobre esse evento qual seria o sentido e alcance desta frase lapidar para o seu autor, mas não os encontrámos. Todavia, o sentido puramente literal da frase permite-nos concluir que se alvitrava para o equipamento um uso que revelasse Guimarães no passado, no presente e no futuro.
Na sua reunião de 12 de Setembro de 2018, a Câmara Municipal reconheceu que a programação e actividade da Plataforma das Artes, bem como a do CIAJG, não alcançaram os fins previstos e manifestou a intenção de criar um «grupo de reflexão» para gerar ideias susceptíveis de tornar esse espaço suficientemente atractivo. Não sabemos se essa ideia avançou, mas a verdade é que, após a pandemia COVID-19, Guimarães tem de descobrir um destino para este ícone da Capital Europeia da Cultura, que não desmereça o avultado investimento que representou, nem os elevados custos de manutenção com que tem sobrecarregado o orçamento municipal!
Em nossa modesta opinião, o destino deste equipamento deveria ser associado ao mais sublime valor da nossa identidade cultural que é a Língua Portuguesa, para assim revelar da forma mais elevada o passado, o presente e o futuro de Guimarães, ou seja, a meta que lhe terá sido preconizada nas palavras do ex-Presidente.
Como se sabe, a cidade de Guimarães é membro efectivo da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa).
Esta associação foi criada em 28 de Junho de 1985, cumprindo um sonho do então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Nuno Krus Abecasis, que, com essa iniciativa quis preparar o terreno para implementar o intercâmbio de experiências e cooperação entre as cidades-membro, em ordem ao desenvolvimento e bem-estar das suas populações.
As acções de intercâmbio e cooperação têm sido desenvolvidas no âmbito da prevenção, saúde, educação, cultura, infra-estruturas, saneamento, ambiente, património, formação empresarial, autárquica e institucional.
A UCCLA foi a primeira instituição de parceria público-privada votada à cooperação para o desenvolvimento no seio da lusofonia e precursora da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa). Neste momento é constituída por 22 membros efectivos, 28 membros associados (cidades), 32 membros apoiantes (instituições e empresas) e 6 membros observadores (cidades), o que perfaz um total de 88 membros, composto de cidades e instituições.
Dentro deste enquadramento, entendemos que a Plataforma poderia transformar-se numa Embaixada Cultural Lusófona, para funcionar com duas áreas diferenciadas, mas complementares. Uma vocacionada para a exposição de peças de arte, como pintura, escultura, cerâmica, objectos de artesanato e etnográficos, etc., que seria o espaço coberto; e outra destinada à demonstração de aspectos da vida real (passada ou presente), ou seja, espectáculos musicais, teatrais, etnográficos, ou outros que manifestassem o modo de sentir e de viver dos povos das cidades-membro da UCCLA ou dos 9 estados independentes CPLP, que seria o espaço exterior.A Plataforma seria uma espécie de Feira Cultural permanente, onde as cidades-membro e os países de língua oficial portuguesa promoveriam a sua cultura na Europa, em condições protocolares, logísticas e económicas a estudar e a definir. Dito de outro modo, a Plataforma tornar-se-ia um espaço destinado a exibir a multiculturalidade dos diversos povos das cidades e países lusófonos e conquistaria o interesse turístico que lhe tem faltado até ao momento.
Não foi por acaso que usámos a designação de embaixada. Com efeito, o que propomos é que a Plataforma se transforme num espaço anfitrião das mais variadas representações culturais das cidades e países de Língua Oficial Portuguesa, com uma intensidade tal que provoque nos povos lusófonos a sensação de que se trata de território nacional em solo estrangeiro.
Aloja uma série de valências e espaços dedicados a três grandes áreas programáticas: o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), os Ateliers Emergentes e os Laboratórios Criativos. A valência mais importante é o CIAJG, que é composto por 13 salas de exposição, uma loja, uma cafetaria, uma sala de conferências com capacidade para 80/pax em plateia e uma «black box» com capacidade para 198/pax. Assume-se como um espaço com variadas possibilidades de utilização, tais como exposições, conferências, reuniões de trabalho, acções de formação, lançamentos de produtos, espectáculos, congressos, etc.
Segundo notícias veiculadas em vários jornais, o anterior Presidente da Câmara, Dr. António Magalhães, no contexto do acto de inauguração referiu que a Plataforma das Artes era «o símbolo do que Guimarães foi, é e quer ser». Procurámos descobrir nas notícias respigadas sobre esse evento qual seria o sentido e alcance desta frase lapidar para o seu autor, mas não os encontrámos. Todavia, o sentido puramente literal da frase permite-nos concluir que se alvitrava para o equipamento um uso que revelasse Guimarães no passado, no presente e no futuro.
Na sua reunião de 12 de Setembro de 2018, a Câmara Municipal reconheceu que a programação e actividade da Plataforma das Artes, bem como a do CIAJG, não alcançaram os fins previstos e manifestou a intenção de criar um «grupo de reflexão» para gerar ideias susceptíveis de tornar esse espaço suficientemente atractivo. Não sabemos se essa ideia avançou, mas a verdade é que, após a pandemia COVID-19, Guimarães tem de descobrir um destino para este ícone da Capital Europeia da Cultura, que não desmereça o avultado investimento que representou, nem os elevados custos de manutenção com que tem sobrecarregado o orçamento municipal!
Em nossa modesta opinião, o destino deste equipamento deveria ser associado ao mais sublime valor da nossa identidade cultural que é a Língua Portuguesa, para assim revelar da forma mais elevada o passado, o presente e o futuro de Guimarães, ou seja, a meta que lhe terá sido preconizada nas palavras do ex-Presidente.
Como se sabe, a cidade de Guimarães é membro efectivo da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa).
Esta associação foi criada em 28 de Junho de 1985, cumprindo um sonho do então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Nuno Krus Abecasis, que, com essa iniciativa quis preparar o terreno para implementar o intercâmbio de experiências e cooperação entre as cidades-membro, em ordem ao desenvolvimento e bem-estar das suas populações.
As acções de intercâmbio e cooperação têm sido desenvolvidas no âmbito da prevenção, saúde, educação, cultura, infra-estruturas, saneamento, ambiente, património, formação empresarial, autárquica e institucional.
A UCCLA foi a primeira instituição de parceria público-privada votada à cooperação para o desenvolvimento no seio da lusofonia e precursora da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa). Neste momento é constituída por 22 membros efectivos, 28 membros associados (cidades), 32 membros apoiantes (instituições e empresas) e 6 membros observadores (cidades), o que perfaz um total de 88 membros, composto de cidades e instituições.
Dentro deste enquadramento, entendemos que a Plataforma poderia transformar-se numa Embaixada Cultural Lusófona, para funcionar com duas áreas diferenciadas, mas complementares. Uma vocacionada para a exposição de peças de arte, como pintura, escultura, cerâmica, objectos de artesanato e etnográficos, etc., que seria o espaço coberto; e outra destinada à demonstração de aspectos da vida real (passada ou presente), ou seja, espectáculos musicais, teatrais, etnográficos, ou outros que manifestassem o modo de sentir e de viver dos povos das cidades-membro da UCCLA ou dos 9 estados independentes CPLP, que seria o espaço exterior.A Plataforma seria uma espécie de Feira Cultural permanente, onde as cidades-membro e os países de língua oficial portuguesa promoveriam a sua cultura na Europa, em condições protocolares, logísticas e económicas a estudar e a definir. Dito de outro modo, a Plataforma tornar-se-ia um espaço destinado a exibir a multiculturalidade dos diversos povos das cidades e países lusófonos e conquistaria o interesse turístico que lhe tem faltado até ao momento.
Não foi por acaso que usámos a designação de embaixada. Com efeito, o que propomos é que a Plataforma se transforme num espaço anfitrião das mais variadas representações culturais das cidades e países de Língua Oficial Portuguesa, com uma intensidade tal que provoque nos povos lusófonos a sensação de que se trata de território nacional em solo estrangeiro.
Guimarães pode tornar-se um farol no mundo lusófono e valorizar-se imenso como destino turístico perante este público!

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