A minha vivência com D.Manuel Martins (crónica - Paulo Freitas do Amaral)
Na altura fazia parte de um grupo de jovens católicos denominado “Nós e Tu” da paróquia da Amora e que trabalhava entre muitas outras atividades com crianças para adopção naquela Instituição católica.
D. Manuel Martins era sempre uma presença constante no apoio que dava a todas as crianças e a todos nós jovens que fazíamos voluntariado, naquela idade em que se faz a universidade e em que pensamos que um dia conquistaremos o mundo…Com a sua fé e com o seu espírito tolerante transmitia-nos sempre a força de estarmos a ser determinantes na construção da vida daquelas crianças…
Os fim de semanas que passei em voluntariado entre freiras nesta Instituição fez-me valorizar as palavras de incentivo ditas nas visitas habituais de D.Manuel Martins, pois a vida lá dentro não era fácil, entre medicação nocturna a crianças deficientes, acompanhamentos à escola, acompanhamento no trabalho dos TPC`s, e em todo o carinho e afecto que estas precisavam, ainda tínhamos que cumprir com a dureza da oração ao longo de vários momentos do dia, a começar às 6 da manhã em inglês e de joelhos perante o santíssimo.
As crianças, sensivelmente até aos 12 anos de idade apegavam-se a nós e nós a elas mas gostavam sobretudo de D.Manuel Martins. Ele além de ser uma visita habitual também celebrava missa semanal na Igreja adjacente e acompanhava de perto os problemas das crianças. Posso até dizer que era uma figura paternal para as crianças, muitas delas com problemas de doenças e com pouco tempo de vida.
Lembro-me aquando da primeira colónia de férias em que fui monitor destas crianças, a festa feita por elas quando talvez no sexto ou no sétimo dia, D.Manuel Martins visitou as instalações da escola secundária da Costa da Caparica que na altura tinha sido totalmente adaptada para acolher as crianças no mês de Agosto…
Foi talvez a primeira vez em que valorizei de facto o trabalho de uma instância superior da Igreja que em vez de andar nos corredores da Alta hierarquia da Igreja, dava-se a conhecer àqueles que não tinham pai nem mãe e que precisavam de amor.
A missa era celebrada por ele com um humor próprio, de forma às crianças perceberem…Muitas foram as gargalhadas dadas na celebração pela forma de resposta espontânea das crianças em toda a sua inocência,,,
Se muitos jovens que tal como eu foram marcados por D.Manuel Martins, imagino então todas a crianças a quem marcou com os seus conselhos e amor.
Um daqueles Homens que fará falta nos dias que vivemos.

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