Quem eram os “Côcos” em Guimarães? (Crónica – Paulo Freitas do Amaral)



A cidade ignorava-os e alguns nutriam mesmo desprezo e nojo pelos Côcos, não só pela sua aparência pela roupa que envergavam que lhes deu o nome devido ao chapéu que lhes cobria o rosto mas principalmente por terem uma função que poucos invejavam; a de acompanhar os mortos de condição social mais pobre até à sua última morada…Esta função estava mais exposta a um risco de contaminação das pestilências, etc…

Eram cerca catorze elementos ao todo, selecionados por concursos que nem sempre eram preenchidos…no entanto mesmo assim eram assalariados pelo trabalho que realizavam.

Eram vestidos durante o cortejo com túnicas pretas e com ar cerimonial. No entanto existiam muitas queixas de padres e religiosos fazendo referência às ausências dos Côcos nos funerais, tendo-se de adiar estes cerimoniais para o dia seguinte. Na cidade do porto chamavam-lhe os Farricocos..
Revezam-se uma vez por mês fazendo duas equipas de sete membros mas mesmo assim era difícil juntá-los a todos nos enterros.

Os Côcos eram na sua generalidade mesteirais e o ano mais remoto em que encontramos a sua existência é o ano de 1605. O serviço destes homens eram alargados a todas as igrejas dentro e fora da Vila, o que levava os mesmos a uma sobrecarga de trabalho muito grande.
Em 1742 encontramos provas do aumento que estes Homens tiveram no seu salário e simultaneamente também na contratação de mais Homens para as cerimónias fúnebres dos mais pobres.

Quando alguém morria, o campeiro percorria as ruas da Vila, tocando uma campainha, chamando os restantes Homens ao “ofício” do defunto e à reza.

A maior parte dos enterros vinha de falecimentos do Hospital da Misericórdia que também era na altura a responsável pela realização das covas e por todo o cerimonial dos mais carenciados.
No princípio do Séc. XIX, os Côcos começaram por ceder o lugar a outro grupo denominados de “Gatos Rogados”.

Mais tarde ambos os grupos se fundiriam no mesmo exercício, os Côcos e os gatos pingados.
No entanto ia havendo uma divisão de tarefas entre ambos os grupos, uns detinham a incumbência de acompanhar “de perto” os mortos e os outros de “empunhar os brandões de cera”

Paulo Freitas do Amaral – Licenciado e Pós graduado em História



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