O segredo guardado pelos monárquicos vimaranenses para restaurar a Monarquia depois da implantação da República em 1910 (crónica – Paulo Freitas do Amaral) Após o 5 de Outubro de 1910 pouca gente sabe que a Monarquia voltou a existir no Norte do país somente por 25 dias. Corria o ano de 1919 e este período ficou conhecido como a época da “Monarquia do Norte”. Este movimento monárquico agregou todo o tipo de monárquicos desde os constitucionalistas aos integralistas. Este esforço contra revolucionário liderado na região por Paiva Couceiro começou em Guimarães logo no mês seguinte à proclamação da República com a projecção de um segredo bem guardado, datado de Novembro de 1910, que previa a construção de uma carreira de treino com a existência de um quartel, onde os militares fiéis a D. Manuel II pudessem treinar as suas competências para dar o seu melhor por um movimento politico militar que fosse capaz de derrubar as instituições do novo regime republicano e restaurar a situação vigente até àquela data. Os terrenos onde se faria este campo de treino seriam cedidos pela aristocracia vimaranense como se pode ler pela legenda do projecto em anexo onde se constata que os membros nobres da cidade não se importariam de abdicar de uma pequena parte das suas propriedades com o superior propósito de defender os seus títulos monárquicos. Na legenda do projecto podemos verificar a nobreza vimaranense referida; o Conde de Margaride, o Conde de Vizela, o Padre Gaspar Leite, a D. Maria Carolina Leite D’Almeida e João Ramos. Embora refugiado na Galiza, Paiva Couceiro mantinha o contacto com os monárquicos vimaranenses e através da luta armada dos realistas consegue a instauração da “Monarquia do Norte” mais tarde em 1919, revogando desta forma na região do Minho toda a legislação republicana promulgada desde 5 de Outubro de 1910, restaurando desta maneira a bandeira monárquica, o hino monárquicos e legislando de forma intensa e infrutífera. Porém a ideia e a expectativa da restauração realista mantiveram-se até à emergência do Estado Novo, acabando o “monárquico de coração”, Oliveira Salazar, por ser o carrasco de quantos ainda sonhavam no regresso ao 4 de Outubro de 1910... O projecto da criação da carreira de treino de militares em Guimarães obedece a uma última indicação de D. Manuel II através do Ministério da Guerra, anterior ao 5 de Outubro de 1910, e a escolha do local estava a cargo dos oficiais monárquicos que lideravam ainda em Novembro de 1910 o regimento de infantaria nº 20 em Guimarães instalado no Paço dos Duques. Pelo que se sabe, nada indica que este projecto denominado “Projecto de uma carreira de tiro para a guarnição de Guimarães” tenha sido concretizado, talvez porque o Ministério da Guerra controlado posteriormente pelos republicanos não tenha disponibilizado todas as verbas necessárias para a construção do quartel. No entanto esta falta de condições para a conclusão do projecto monárquico vimaranense não foi suficiente para impedir que a “Monarquia do Norte” em 1919 tivesse lugar também em Guimarães pois a bandeira monárquica neste ano durante a "Monarquia do Norte" esteve hasteada no regimento vimaranense de infantaria nº 20 . Paulo Freitas do Amaral – Licenciado e Pós-graduado em História


Após o 5 de Outubro de 1910 pouca gente sabe que a Monarquia voltou a existir no Norte do país somente por 25 dias. Corria o ano de 1919 e este período ficou conhecido como a época da “Monarquia do Norte”. Este movimento monárquico agregou todo o tipo de monárquicos desde os constitucionalistas aos integralistas.
Este esforço contra revolucionário liderado na região por Paiva Couceiro começou em Guimarães logo no mês seguinte à proclamação da República com a projecção de um segredo bem guardado, datado de Novembro de 1910, que previa a construção de uma carreira de treino com a existência de um quartel, onde os militares fiéis a D. Manuel II pudessem treinar as suas competências para dar o seu melhor por um movimento politico militar que fosse capaz de derrubar as instituições do novo regime republicano e restaurar a situação vigente até àquela data.
Os terrenos onde se faria este campo de treino seriam cedidos pela aristocracia vimaranense como se pode ler pela legenda do projecto em anexo onde se constata que os membros nobres da cidade não se importariam de abdicar de uma pequena parte das suas propriedades com o superior propósito de defender os seus títulos monárquicos.
Na legenda do projecto podemos verificar a nobreza vimaranense referida; o Conde de Margaride, o Conde de Vizela, o Padre Gaspar Leite, a D. Maria Carolina Leite D’Almeida e João Ramos.
Embora refugiado na Galiza, Paiva Couceiro mantinha o contacto com os monárquicos vimaranenses e através da luta armada dos realistas consegue a instauração da “Monarquia do Norte” mais tarde em 1919, revogando desta forma na região do Minho toda a legislação republicana promulgada desde 5 de Outubro de 1910, restaurando desta maneira a bandeira monárquica, o hino monárquicos e legislando de forma intensa e infrutífera.
Porém a ideia e a expectativa da restauração realista mantiveram-se até à emergência do Estado Novo, acabando o “monárquico de coração”, Oliveira Salazar, por ser o carrasco de quantos ainda sonhavam no regresso ao 4 de Outubro de 1910...
O projecto da criação da carreira de treino de militares em Guimarães obedece a uma última indicação de D. Manuel II através do Ministério da Guerra, anterior ao 5 de Outubro de 1910, e a escolha do local estava a cargo dos oficiais monárquicos que lideravam ainda em Novembro de 1910 o regimento de infantaria nº 20 em Guimarães instalado no Paço dos Duques.
Pelo que se sabe, nada indica que este projecto denominado “Projecto de uma carreira de tiro para a guarnição de Guimarães” tenha sido concretizado, talvez porque o Ministério da Guerra controlado posteriormente pelos republicanos não tenha disponibilizado todas as verbas necessárias para a construção do quartel.
No entanto esta falta de condições para a conclusão do projecto monárquico vimaranense não foi suficiente para impedir que a “Monarquia do Norte” em 1919 tivesse lugar também em Guimarães pois a bandeira monárquica neste ano durante a "Monarquia do Norte" esteve hasteada no regimento vimaranense de infantaria nº 20 .
Paulo Freitas do Amaral – Licenciado e Pós-graduado em História

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