As irmãs religiosas merceeiras que viviam no centro histórico de Gimarães (Crónica de Paulo Freitas do Amaral)


A Ordem das Merceeiras em Guimarães funcionava onde hoje é o recolhimento dos refugiados das Trinas no Centro Histórico da Cidade.

Este local ainda existe praticamente preservado, com um grande quintal interno e com uma pequena capela que detém uma Nossa Senhora das Mercês muito bonita sendo a padroeira da antiga Irmandade feminina.

Esta Instituição de mulheres era vocacionada somente à oração. O recolhimento das Trinas segundo se pode ler da própria escritura iniciou-se com uma doação de 2 500 cruzados para a escritura e funcionamento. Paulo de Mesquita Sobrinho foi o Bem feitor deste património impondo bastantes regras à Irmandade.

No entanto todas as merceeiras estavam a cargo da Misericórdia de Guimarães que dava na altura um vintém por dia a cada irmã merceeira,  e alimentação.
A organização interna da Irmandade estava totalmente entregue às próprias irmãs com exceção da nomeação da Irmã chefe que era indicada pelos mesários da Misericórdia.

O recrutamento das restantes irmãs era da total responsabilidade das mesmas, poderiam recrutar viúves ou órfãs que ficassem desamparadas não ficando obrigadas a voto de pobreza nem de castidade.

Vestiam todas o mesmo hábito branco e só podiam sair à rua todas juntas para ir à igreja ou para visitar doentes sempre em grupos de duas ...

Seguindo o exemplo dos conventos de freiras as recolhidas das trinas fabricavam doce para venda ao público nas imediações do recolhimento, curiosamente ainda hoje um local onde se fabricam delícias vimaranenses de excelência.

Todos os dias iam à Missa à Igreja da misericórdia no terreiro da Misericórdia rezar um rosário mas este procedimento mais tarde foi abolido pois segundo um documento de 1781 a forma como chamavam a atenção na via pública era “pouco pacificadora”.

Muito mais tarde, por documento apostólico, em 16 de Julho de 1884 esta obrigação diária fica extinta.

Esta Irmandade hoje está extinta mas a função de recolhimento e apoio das suas instalações a quem mais precisa continua a ser cumprido.

Paulo Freitas do Amaral – Licenciado e Pós-Graduado em História



Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Bandeira de D. Afonso Henriques é inspirada em S. Miguel?

Neste dia de Portugal conheça a descoberta científica que comprova que os portugueses têm no seu ADN duas sequências genéticas que não existem em mais nenhum outro povo do mundo: a A25 B18 DR15 e a A26 B38 DR13

Cerco ao Castelo de Guimarães - Quando D, João I, veio por cerco a Guimarães, em 1385, junto da porta de S. Bárbara da muralha, deu-se o singular e heróico episódio em que ganharam os portugueses - Ilustração de Guilherme Camarinha