Padre Joaquim Carreira , o religioso católico que salvou muitas vidas durante a II Guerra Mundial tal como Aristides Sousa Mendes e sem lugar no Panteão Nacional...


O judeu italiano Elio Cittone, é uma das 40 vidas salvas pelo padre Joaquim Carreira no Vaticano durante a II Guerra Mundial quando tinha apenas 16 anos e que nos deixou um relato até aos dias de hoje de como é que este religioso católico salvou diversos socialistas, médicos, diplomatas, advogados e professores que não concordavam com os ideais nazis.
Nestas cerca de 40 pessoas salvas não estão contabilizadas muitas outras, principalmente do sexo feminino que se sabe que o Padre Carreira encaminhou para casas e colégios de freiras em Roma como é o caso de parte da família de Élio Cittone (mãe e irmã) já referido.
Desobedecendo à neutralidade do Vaticano e do Papa durante a Guerra, o Padre Joaquim Carreira, vice-reitor do colégio Luso recebeu nas instalações do seu colégio no ano de 1943-44 diversos refugiados.
O Padre Carreira era somente um português em Roma que se envolveu de forma empenhada, arriscando a própria vida.
Num dos seus relatórios de 1943 escreve o seguinte: "Concedi asilo e hospitalidade no colégio a pessoas que eram perseguidas na base de leis injustas e desumanas"
Existe uma biografia chamada "Monsenhor Joaquim Carreira - Apóstolo do Bem, na Guerra e na Paz de João Carreira Monico (seu sobrinho) que investigou diversa documentação sobre os refugiados no colégio português em Roma e com revelações surpreendentes sobre o elevado estatuto social de alguns refugiados a quem o Padre Carreira deu proteção.
Os refugiados relatam que o Padre Carreira sempre foi muito gentil com todos eles e que havia a necessidade de ocupar o tempo, ora lendo, ora ouvindo rádio, ora aprendendo um jogo português chamado "sueca"…
Perante as rusgas nazis e a fome que se fazia abater sobre Roma, os refugiados contaram que durante vários meses de refúgio nada lhes faltou. A igreja católica em 2008 aquando do centenário do seu nascimento revelou que era o Padre Carreira quem estava responsável pela angariação de mantimentos para os refugiados.
Comprar comida em quantidade maior poderia levantar suspeitas de ter gente a mais no colégio português.
Em 1944 Giuseppe Caronia, médico, depois de salvar inúmeros judeus também se refugiou no colégio português.
Segundo Cittone que só esteve 1 mês e meio no colégio, os alemães bateram à porta para efetuar uma rusga pelo menos 1 vez. O Padre Carreira escondeu todos os refugiados no telhado do edifício escapando às garras dos nazis e salvando todas as vidas. O Padre Carreira fazia questão de manter a casa com um ar de abandonada em caso de existir alguma rusga. Regra que os refugiados cumpriram.
O Padre Carreira nunca relatou os factos a ninguém, talvez por humildade ou simplicidade.
O Padre Carreira nasceu na caranguejeira, a 20 km de Fátima e foi o primeiro padre em Portugal a tirar a licença de piloto chegando a ser apelidado de "Padre aviador".
O Padre Carreira morreu em 1980 no dia de Nossa senhora da Imaculada Conceição. Nas palavras do seu sobrinho, o seu tio era grande devoto de Nossa senhora e sempre disse que gostaria de morrer no seu dia, o que efetivamente por coincidência ou não, acabou por acontecer.
Foi também o fotógrafo oficial do santuário de Fátima.
O povo judeu já o homenageou passando a ser o quarto português a ter o nome inscrito no "Memorial dos Justos" em Jerusalém por ter arriscado a sua própria vida perante o regime Nazi, a par de outros portugueses que merecem a devida homenagem e que não se fala de eles como é o caso do Embaixador português na Hungria, Carlos Garrido.
Juntamente com Aristides Sousa Mendes, Joseph Brito Mendes e Carlos Garrido, o Padre Joaquim Carreira foi o quarto português a ser reconhecido pelo centro judeu Yad Vashem a ser um entre os "Justos da Nações"
Em Portugal além das homenagens locais dos sítios onde nasceu e por onde passou pouco mais se fez por este Homem Bom.
Agora que elevámos de forma muito justa e merecida o reconhecimento de Aristides Sousa Mendes porque não também reconhecer Homens que também estiveram na defesa dos mesmos valores?
Paulo Freitas do Amaral - Licenciado e pós-graduado em História

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