A problemática do suicídio em Guimarães (Opinião – Paulo Freitas do Amaral - Correio de Guimarães)


Hoje às 10h da manhã em S. Lourenço de Selho fecharam-se os cafés e os vimaranenses entristecidos da freguesia estiveram em grande número no funeral do jovem Torcato de apenas 40 anos de idade que se suicidou esta semana.

A tristeza que tinha assolapado esta freguesia em Dezembro por causa da jovem Susana, voltou ao presente agora por causa de mais um filho da terra.

Se tivermos em conta que ainda há poucas semanas tivemos um outro caso de um jovem rapaz em Nespereira que terminou com a sua vida ou ainda o caso da jovem que falei que pôs término à sua vida dentro do seu carro na Penha no dia 5 de Dezembro de 2018, começamos a chegar à conclusão que tem de começar a existir uma resposta no âmbito da saúde mental em Guimarães porque a atual é deficitária.

O que encontramos em termos de respostas em Guimarães é pouco mais do que uma “ala psiquiátrica” do Hospital público e um serviço do mesmo de forma residual ao domicílio.
Com certeza que o leitor, se é vimaranense, já lidou de perto com casos próximos de pessoas que entram em depressão precisando de acompanhamento psiquiátrico…provavelmente já constatou que em termos de respostas, a existência é pouca…

Em vez de continuarmos a assistir a esta realidade de braços cruzados, teremos que em todo o Concelho ser mais pró-activos tendo de haver nos meios mais pequenos e rurais , onde o problema se torna bem mais real, a necessidade de combater convictamente este problema.

Sabemos que nos meios mais pequenos, mais conservadores, onde se sobrevaloriza a imagem, “o diz que disse”, a intriga gratuita, etc…terá que existir mais atenção ao acompanhamento destes casos.

 Sei bem que alguns dos casos mencionados têm origem em doenças, outros tais na depressão mas num caso ou no outro tem de haver por parte das entidades responsáveis pela saúde e pela ação social uma vigilância maior. Tem de haver um acompanhamento real e mais do que as palavras teremos que passar à ação sob pena de assistirmos impávidos à continuidade dos suicídios em Guimarães.

Mais do que o empurra de responsabilidades entre entidades, a luta partidária, etc…estamos a falar de vida e de morte, por isso estejamos em que lado estivermos da barricada, teremos que nos unir porque é da luta pela Vida pela qual todos teremos de estar unidos sem aproveitamentos de qualquer espécie.

Paulo Freitas do Amaral
Diretor do Jornal Correio de Guimarães

Comentários

  1. Que todos e essensialmente os que estão ao lado destas pessoas estejam atentos , para que os cados diminuam

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  2. Não falemos somente de psiquiatria, mas sim de psicologia, até porque os fármacos não tratam tudo !!

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  3. Dei entrada no hospital em Agosto de 2014 com o diagnostico de um esgotamento, e teria que ser seguida pela psiquiatria em Guimarães que só em Dezembro recebi a carta para ir á primeira consulta, é claro que o que me salvou é que tinha meios para pagar no serviço privado porque senão hoje já não estaria aqui para comentar

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  4. Sim eu sei bem o que é essa doença por mim inflizmente ja passou tentei o suicidio varias vezes mas sem resultados felizmente tive 7 internamentos na ala psiquiatrica do hospital senhora da oliveira em guimaraes com esgotamentos celebrais aonde sou acompanhada hoje digo a essas pessoas que tem esses problemas quando for tentar o suicidio que pensem nas coisas boas que a vida nos trás sei que é dificil mas tentem um muito obrigado a ver se com este testemunho possa ajudar alguem a vida e bonita e bela para ser destruída obrigado a todos

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