O pregão dito pelas ruas de Guimarães em busca de linho para servir de ligaduras das feridas


No início do Século XVIII ainda não existiam no hospital de Guimarães os algodões iodados, os antissépticos e todos os remédios que a ciência com o passar do tempo nos colocou à disposição.
Todas as ligaduras eram feitas de panos de linho e havia a crença que o pano de linho tinha em si virtudes curativas.
O pessoal que trabalhava no hospital de Guimarães ocupava os seus serões a desfiar farrapos de linho com o objetivo de ser aplicado nas feridas dos pacientes.
São vários os inventários do Século XVII e XVIII que nos falam desta prática do uso do linho.
(arquivos da Misericórdia, códice 108,folhas; 53,59, 113 V, e códice 107, folha 27 V.)
Dos vários pregões lançados pela cidade pelo hospitaleiro e pelo servo que auxiliava nas missas, constava um que pedia trapos e fios de linho para o curativo dos doentes do Hospital. O saco do servo entretanto recolhia a esmola dos velhos farrapos de linho.
O pregão usado era o seguinte; “Um farrapinho, sendo de linho, guarda-se bem. Um dia, vem em nosso dia uma ferida. Para a curar, sem agravar e não ter dor. Não há melhor que farrapinho, sendo de linho.”
Também era usado o seguinte pregão: “Fios e trapos de linho, pró Hospital, por amor de Deus!”
No entanto, o consumo excedia largamente as ofertas e a Misericórdia decidiu contratar uma em reunião de 20 de Março de 1816 uma lavadeira propositadamente para lavar”os panos, ataduras e parches, a fim de servirem mais de uma vez, dando-se-lhe um ordenado de 300 reis mensais”.
Embora já nos primórdios do século XVIII os pensos antissépticos fossem uma conquista, a verdade é que ainda não existiam no Hospital de Guimarães.
Um regulamento do século XIX, diz-nos uma parte das atribuições de uma lavadeira ao serviço do Hospital. A par das medidas profiláticas do regulamento de 1839 criado no Hospital de Guimarães foram boas decisões da administração em prol da saúde dos utentes
Paulo Freitas do Amaral – Licenciado e pós-graduado em História

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